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Equipe de hóquei feminino da Portuguesa
A seguinte reportagem foi extraída do caderno Esportes, do jornal O Estado de São Paulo de 20 de fevereiro de 2000

MULHERES REVELAM O LADO IMPIEDOSO E VENCEDOR DA LUSA

Jogadoras de futebol e hóquei mostram que 'morrer na praia' é só com os homens

As mulheres estão mostrando um lado novo da Portuguesa: impiedoso, arrasador e, principalmente, campeão. O time de futebol feminino da Lusa conquistou no último domingo o título brasileiro derrotando o Palmeiras na final, mostrando que, no que depender delas, a Portuguesa não morre mais na praia.

Não é somente com a bola no pé que as meninas do Canindé mostram talento. Sobre rodinhas, a Lusa é quase imbatível. A equipe de hóquei sobre patins é a atual bicampeã mundial interclubes, representa o País com a camisa da seleção brasileira e sua principal jogadora, Patrícia Martins, de 22 anos, poderá entrar para o Guiness Book, o Livro dos Recordes, como a maior artilheira da história do hóquei feminino mundial.

As jogadoras de futebol e hóquei sobre patins têm muita coisa em comum. as duas equipes formam a base da seleção brasileira nas respectivas categorias. Depois da conquista do Campeonato Brasileiro, nomes como os de Grazielle, de 18 anos, e Dani Alves, de 16, são quase certos para integrar a seleção que vai disputar o torneio de futebol feminino nos Jogos Olímpicos de Sydney. Já o time titular de hóquei sobre patins vai representar o país no Mundial de Seleções, que será disputado em outubro, na Alemanha.

"Estamos mostrando que, aqui na Portuguesa, o que acontece com os homens não tem nada a ver com a gente", diz a atacante Grazielle, que joga futebol desde os 11 anos, por incentivo do pai, um ex-jogador do Gama (DF). "Somos gratas às jogadoras mais velhas, que sofreram muito para superar o preconceito e estão entregando o futebol feminino com melhor estrutura para a gente", acrescenta a volante Dani Alves, que, na final contra o Palmeiras, anulou a experiente meia Sissi.

Com um título paulista e um brasileiro, a equipe de futebol feminino da Portuguesa estaria em primeiro lugar em um suposto ranking nacional. "Durante o Brasileiro, ouvi muita gente falar que a gente iria 'morrer na praia', mas mostramos que somos fortes", comenta a zagueira Marisa, de 33 anos, a mais experiente do time.

O treinador da Lusa, Wilsinho Riça, reconhece que foi o esforço das atletas da equipe que o levou ao comando da seleção brasileira. "As jogadoras são aplicadas, disciplinadas e muito unidas", elogia o técnico. No convívio com o grupo, Riça já percebeu que ainda existe muita discriminação em relação às mulheres que jogam bola, "Ainda existe muito preconceito com o futebol feminino", diz.

Apesar de vencedoras, as mulheres ainda têm de lutar muito para conquistar os mesmos direitos dos homens. O treino das meninas da Lusa depende da equipe masculina. Se os homens estão usando o campo do Canindé, elas são obrigadas a treinar no campo de areia que fica dentro do clube ou, então, a ir até o Centro de Treinamento no Parque Ecológico do Tietê. As campeãs brasileiras ainda não sabem se vão receber da diretoria algum prêmio especial pela conquista. Os salários das jogadoras são pagos pelo patrocinador, a Universidade Sant'Anna.

(Paulo Guilherme)

ESTRELA DOS PATINS PODE ENTRAR PARA O LIVRO DOS RECORDES

Artilheira em dois mundiais, Patrícia Martins já marcou 575 gols na carreira

A melhor jogadora de hóquei sobre patins do mundo é da Portuguesa. Patrícia Martins, de 22 anos, tem um currículo impressionante: bicampeã mundial interclubes, tetracampeã brasileira, heptacampeã paulista e artilheira em quase todas as competições de que participou. Empolgada com o sucesso de sua jogadora, a Portuguesa está reunindo as súmulas dos jogos de Patrícia para mandar ao Guiness Book, o Livro dos Recordes. Até hoje, a artilheira já marcou 575 gols na sua carreira.

Ela conta que os europeus respeitam e admiram o talento das jogadoras da equipe feminina da Lusa. "A Portuguesa é mais respeitada do que a própria seleção brasileira", afirma Patrícia. No último Mundial de Clubes, realizado em julho, Patrícia comandou a conquista da Portuguesa, que venceu pela segunda vez consecutiva o torneio.

As principais jogadoras do time, inclusive ela, foram emprestadas por seis meses a clubes de Portugal e Espanha, onde o hóquei sobre patins é muito divulgado. Patrícia Martins e Patrícia Perini estão no Alcobacense. Recebem casa, alimentação, duas passagens para o Brasil e uma ajuda de custo de US$ 600 por mês. As jogadoras Érica Silva e Taluana Portugal jogam no Porto Santanense da Ilha da Madeira, a goleira Silvana Namie está no Voltrega e a atacante Paula Sakuma atua no Bigues, ambos da Espanha.

As meninas foram jogar na Europa este semestre porque no Brasil não conseguiam encontrar adversários. O supertime montado pelo técnico Antônio Martins Albuquerque, pai da jogadora Patrícia, ficou 87 partidas sem perder.

As garotas do hóquei sobre patins recebem da Lusa uma ajuda de custo de R$ 300,00. Elas dependem da ajuda dos pais para jogar. O esporte é caro. O equipamento de uma jogadora (patins, joelheiras e luvas) sai por R$ 800,00. A goleira, que usa ainda capacete, colete, luvas e perneiras, gasta R$ 1,2 mil com sua vestimenta.

Fonte: Paulo Guilherme - O Estado de São Paulo

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